Terapia de casal: quais as principais abordagens?
13 de Abril de 2026
Entre as abordagens psicoterapêuticas para tratamento de casais, várias se colocaram à prova nos mais rigorosos testes de efetividade, os chamados ensaios clínicos randomizados (ECRs). Nesses estudos, casais em conflito são designados de maneira aleatória a diferentes intervenções ou às condições de tratamento e de grupo-controle e o resultado é avaliado ao final, em geral depois de um período de acompanhamento.
Comparados aos casais da condição-controle, casais das condições de tratamento geralmente pontuam mais alto nas medidas de satisfação do relacionamento, assim como nas demais medidas auxiliares, como as de comunicação ou de comprometimento com a relação. E casais em uma nova condição de tratamento pontuam tanto quanto ou mais que casais expostos a um tratamento antigo, previamente testado, em comparação a um grupo-controle.
Modelos
Quatro modelos de terapia de casal foram testados em mais de um desses ECRs: a terapia comportamental tradicional de casal (TBCT, do inglês traditional behavioral couple therapy), originalmente chamada de terapia comportamental marital; a terapia cognitivo-comportamental de casal (CBCT, do inglês cognitive-behavioral couple therapy); a terapia focada nas emoções para casais (EFCT, do inglês emotionally focused couple therapy); e a terapia comportamental integrativa de casal (IBCT, do inglês integrative behavioral couple therapy).
São os mais praticados entre as terapias de casal baseadas em evidências e todos apoiam-se em seis princípios fundamentais: (1) operam a partir de um enquadre conceitual coerente; (2) apresentam uma perspectiva diádica dos problemas do casal; (3) alteram o comportamento disruptivo e perigoso dirigido pelas emoções; (4) elicitam comportamentos privados evitados baseados em emoções; (5) promovem comunicação construtiva; e (6) enfatizam as forças do casal e encorajam o comportamento positivo.
A IBCT difere das outras abordagens comportamentais de várias maneiras: (a) enfatiza os padrões e temas amplos versus os comportamentos e pensamentos específicos; (b) inclui variáveis causais históricas e distais, assim como variáveis proximais em sua análise desses temas e padrões; (c) enfatiza as reações emocionais e a aceitação emocional versus a mudança de comportamentos concretos; e (d) destaca a mudança modelada pelas contingências (ou seja, a mudança experiencial) versus a mudança governada por regras (mudança deliberada).
Lançamento
O assunto é aprofundado no livro “Terapia comportamental integrativa de casal: um guia do terapeuta para criar aceitação e mudança”, publicado pela Sinopsys Editora. Escrito pelos renomados psicólogos Andrew Christensen, Brian D. Doss e Neil S. Jacobson, este guia clínico é a obra definitiva sobre a IBCT. Traz orientações sobre formulação, avaliação e feedback do sofrimento conjugal e detalha técnicas para alcançar a aceitação e a mudança deliberada.
Nesta edição atualizada, os leitores encontram capítulos sobre inovações na abordagem, orientações para trabalhar com casais diversos, questões clínicas complexas e integração da tecnologia ao longo do tratamento.