Desenvolvimento infantil: qual o papel da emoção tristeza?
01 de Junho de 2026
Embora classificada como desagradável, a tristeza é uma emoção primária – presente desde o nascimento – importante para o desenvolvimento infantil, pois auxilia na reflexão sobre o que as crianças sentem, vivenciam e fazem, assim como na busca de cuidado consigo mesmas e com os outros.
Portanto, uma criança triste – com pouca energia e buscando isolamento – não é necessariamente sinônimo de anormalidade. É preciso, contudo, que esses momentos de baixo ânimo sejam vividos da maneira correta e observados com atenção caso se tornem frequentes ou comecem a interferir na qualidade de vida.
Vários motivos podem deixar uma criança triste, como a frustração por ter uma vontade contrariada. Nesses casos, a tristeza pode se manifestar por meio da impaciência, da raiva e até mesmo de comportamentos agressivos.
A desaprovação da parte dos pais, professores, colegas e amigos é outro fator que entristece uma criança, a deixando sem motivação para executar as tarefas da escola ou mesmo para brincar. Afinal, críticas duras, julgamento e repreensões desmedidas afetam diretamente a confiança, a autoestima e a autonomia.
A carência afetiva também deixa as crianças tristes e, em muitas situações, pode até passar despercebida. Esse é um risco grave, pois a baixa frequência no recebimento de carinho e tempo de qualidade ao lado dos pais/responsáveis durante a infância pode impactar no modo como vão se relacionar socialmente e lidar com suas emoções pelo resto da vida.
Diálogo
Seja qual for o contexto, descobrir as causas da tristeza geralmente é o primeiro desafio dos pais/responsáveis que querem melhorar o humor dos seus filhos.
E já que a infância é uma fase na qual a pessoa tem dificuldade de reconhecer e expressar emoções, o diálogo é essencial. Percebê-las, identificá-las e compreendê-las devidamente tornam possível lidar com cada uma delas e contribuem para o equilíbrio emocional.
O diálogo é a principal ferramenta para conhecer melhor a personalidade infantil, entender os sentimentos uns dos outros e fortalecer vínculos. No entanto, essa deve ser uma prática diária e que aborde todos os assuntos, não apenas conversas pontuais somente após notar a criança cabisbaixa.
Outro modo de melhorar o ânimo de uma criança triste é lembrando-a de suas qualidades, conquistas e capacidades. Por isso, é importante que seja incentivada a cultivar sentimentos afirmativos e até mesmo a falar em voz alta sobre suas qualidades, as coisas boas que já viveu e sobre pessoas que lhe fazem bem.
Escolas inclusive já estão aderindo a metodologias que desenvolvem a inteligência emocional desde os primeiros anos de vida, e existem diversas maneiras de trabalhá-la em casa também. Brincadeiras que exercitam as habilidades socioemocionais, a autonomia e a autoestima são algumas indicações.
Nos casos em que a tristeza persistir, é importante que a ajuda psicológica seja buscada.
Ferramenta
Por meio de atividades interativas, o ‘Caderno da tristeza: acolhendo e expressando assertivamente’, de autoria da psicóloga Marina Heinen, ajuda a garotada a compreender, identificar e expressar essa emoção de maneira assertiva, contribuindo para a regulação emocional.
Para usos clínico, escolar e familiar com crianças a partir de 6 anos, a obra, publicada pela Sinopsys Editora, é baseada no modelo cognitivo.