Altas habilidades/superdotação na infância
22 de Julho de 2026
Altas habilidades/superdotação (AH/SD) na infância geralmente englobam alto nível de inteligência e desenvolvimento acelerado das funções cerebrais e se caracterizam pela elevada potencialidade de aptidões, talentos e habilidades evidenciada no desempenho em diversas áreas de atividade da criança.
Algumas características comuns incluem alta curiosidade e interesse em aprender, capacidade de resolver problemas complexos rapidamente, memória excepcional, interesses intensos e focados, sensibilidade emocional elevada e habilidades sociais avançadas.
Desafios
Embora altas habilidades/superdotação tragam inúmeras vantagens, também podem apresentar desafios, como desajuste social e emocional, perfeccionismo e ansiedade, assim como dificuldades acadêmicas – em ambientes educacionais tradicionais, os alunos superdotados podem se sentir entediados ou desmotivados se não forem instigados adequadamente.
Pessoas com AH/SD também podem enfrentar barreiras de atitude decorrentes de mitos que se propagam há tempos na sociedade, a começar pelo fato de serem consideradas “gênios”. Importante mencionar que, para tanto, é preciso ter deixado um legado de inovação e de criação considerável.
Atualmente, é sabido que o indivíduo com altas habilidades/superdotação não é excelente em tudo e pode apresentar uma ou mais deficiências. Da mesma forma, a criança superdotada não é um “miniadulto” e, portanto, precisa de afeto e limites como todas as outras.
A literatura aponta que 15% a 20% da população apresenta alguma habilidade acima da média. Tais dados, portanto, expressam a necessidade de maiores investimentos nas políticas públicas relacionadas ao tema.
Família e escola
O papel da família para a criança com AH/SD é fundamental, tendo em vista que geralmente são os pais/responsáveis que identificam as altas habilidades/superdotação em seus filhos e buscam alternativas para ajudá-los no desenvolvimento adequado do seu potencial.
A escola também tem um papel importante na identificação e no atendimento adequado do aluno superdotado, pois, durante as aulas, os professores podem perceber quem se destaca em determinadas atividades ou projetos. Portanto, é essencial que o corpo docente seja capacitado para reconhecer o potencial de seus estudantes e buscar estratégias de apoio.
Ajuda profissional
Concomitantemente às altas habilidades/superdotação podem ocorrer alguma dificuldade de aprendizagem e transtornos, como do espectro autista (TEA) e do déficit de atenção/hiperatividade (TDAH).
Sempre que as famílias e as comunidades escolares suspeitarem de indicadores de AH/SD ou de qualquer comportamento diferente do usual, é importante procurarem suporte profissional especializado.
A identificação precoce e o atendimento adequado são essenciais para ajudar os indivíduos superdotados a desenvolverem todo o seu potencial. Algumas estratégias eficazes incluem educação diferenciada, com currículos flexíveis e enriquecidos, que atendam às suas necessidades individuais.
O suporte emocional e social também é crucial para ajudar os indivíduos superdotados a lidarem com os desafios associados à sua condição. Grupos de apoio, aconselhamento e programas de mentoria podem ser benéficos.
Lançamento
No livro A grande expedição da mente: explorando o que é ter altas habilidades/superdotação, de autoria da psicóloga Andressa Silva e publicado pela Sinopsys Editora, o personagem principal, Noah, descobre o que é ter altas habilidades/superdotação, aprendendo como seu cérebro curioso e criativo funciona.
Por meio da história, o leitor é levado a explorar o funcionamento cerebral de crianças com essa condição, compreendendo as facilidades que têm e os desafios que enfrentam. Trata-se de um recurso psicoeducativo que, por meio de uma linguagem acessível, cria uma ponte entre conhecimento científico e experiência infantil.
Para usos clínico, familiar e escolar com a faixa etária de 6 a 12 anos, traz estratégias práticas que contribuem para o autoconhecimento dos pequenos, reforçam suas potencialidades e favorecem o manejo de questões como ansiedade, perfeccionismo, dificuldade em lidarem com frustrações e sensação de não se encaixarem nos ambientes escolares e sociais.