Estimulando a autonomia de crianças típicas e atípicas
23 de Junho de 2026
Crianças com demanda clínica frequentemente se sentem inseguras, impotentes e desencorajadas a agir. Sendo assim, conscientizá-las do seu verdadeiro poder de enfrentamento é potencializar sua verdadeira capacidade, conseguindo ajudar em um desenvolvimento mais saudável e assertivo.
O processo de terapia não é visto como algo comum e orientativo pela maioria das pessoas leigas. Pelo contrário, existe a crença universal de que, para uma criança chegar à terapia, seu comportamento deve ser muito disfuncional a ponto de os pais/responsáveis não conseguirem intervir mais efetivamente – ou seja, a condição saiu do controle.
Mas os profissionais sabem que as questões que levam às disfuncionalidades infantis são inúmeras e incluem principalmente a perpetuação de padrões desadaptativos dos pais/responsáveis na educação de seus filhos.
A ideia de que existem crianças fáceis ou difíceis de educar, agressivas ou calmas, funcionais ou disfuncionais também é uma crença errônea que alimenta uma concepção distorcida desse público.
Elas nascem sem experiência, e sua primeira tarefa nesse mundo é sobreviver. Assim sendo, vincular-se é a primeira necessidade que o bebê procura, pois se sabe que os humanos pertencem à única espécie de seres vivos que nasce totalmente dependente do cuidado do outro.
Ambiente relacional
Os cuidadores fazem pela criança o melhor que podem com os recursos psicológicos que têm, assim ela vai aprendendo com as experiências diárias qual é a melhor forma de se adaptar às condições oferecidas.
Como Daniel Siegel afirma, “a experiência molda o cérebro, e o cérebro molda a experiência” (O cérebro da criança, 2015), destacando que o ambiente relacional é essencial para o desenvolvimento da mente infantil.
Algumas dessas crianças chegam à terapia com comportamentos disfuncionais que nada mais são do que tentativas de se adaptar à realidade que vivem, com o objetivo de continuarem sua jornada pela vida.
As disfuncionalidades são comportamentos adaptativos aprendidos pela criança com os quais consegue o que precisa de maneira errada. Por exemplo, quando quer algo e não é autorizada, pode usar a estratégia da birra.
A inabilidade dos pais/responsáveis em lidarem com a situação na frente de outras pessoas pode fazer com que eles cedam. A vontade da criança é satisfeita, e o comportamento explosivo e desajustado acaba sendo reforçado.
Reorganização
O processo de terapia é uma reorganização de estratégias criadas pela criança para lidar com seu mundo. Segundo Siegel, “quando ajudamos as crianças a nomearem suas emoções e refletirem sobre suas ações, estamos literalmente moldando o cérebro delas para funcionar de forma mais integrada”.
Para a criança, perceber que ela é mais do que seu problema é muito importante e motivador na psicoterapia. Isso fará com que construa uma autoimagem realista de suas capacidades. Quando valorizadas pela sua melhor versão, é muito mais fácil, gratificante e encorajador descobrir que podem criar e ser melhores naquilo que têm por fraquezas.
Ferramenta
O principal objetivo do jogo ‘Sou capaz: estimulando a autonomia de crianças típicas e atípicas’ é fortalecer a autonomia, a autopercepção de competências e o senso de capacidade da criança, ajudando-a a reconhecer que é mais do que suas dificuldades.
De autoria da psicóloga Kelly Bubniak Tavares e publicada pela editora RIC Jogos, a ferramenta busca desenvolver uma autoimagem mais realista e positiva; estimular o reconhecimento de habilidades já conquistadas; promover autorregulação e enfrentamento de desafios; favorecer a construção do vínculo terapêutico; trabalhar a autonomia de forma lúdica e estruturada.
Direcionado ao público infantil a partir dos 5 anos, o recurso dispõe de 60 cartas, 4 cartões e manual. Diferencia-se por unir fundamentação teórica consistente com aplicação lúdica e prática clínica estruturada, indo além do foco na queixa e priorizando o fortalecimento das competências do paciente.