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ACT: o contato com o momento presente e a prática clínica

ACT: o contato com o momento presente e a prática clínica

30 de Julho de 2026

A terapia de aceitação e compromisso (ACT, do inglês acceptance and commitment therapy) converge seis processos centrais – aceitação, desfusão cognitiva, self como contexto, valores, ação comprometida e contato com o momento presente – representados graficamente como um hexágono e conhecidos coletivamente como o modelo hexaflex.

O objetivo central da ACT é promover flexibilidade psicológica, definida como a capacidade de entrar em contato com o momento presente de forma plena e consciente, escolhendo comportamentos que estejam a serviço dos valores pessoais mesmo diante de experiências internas desconfortáveis, como medo, dor ou culpa.

O contato com o momento presente envolve a capacidade do indivíduo de trazer a atenção a algo de maneira focada, deliberada e, ao mesmo tempo, flexível. Esse tipo de contato é distinguível da atenção relativamente rígida e fixada, que pode ser observada, por exemplo, no jogo de videogame.

O contato com o momento presente também deve ser distinguido da distrabilidade, a qual demonstra flexibilidade na atenção a diferentes eventos estimuladores, tanto externos (por exemplo, sons e imagens) quanto internos (como pensamentos, emoções e sensações corporais), mas carece da qualidade deliberada e focada.


Dissociação

O caso mais marcante de falha no contato com o momento presente é, provavelmente, a dissociação, em que o ambiente ao redor dos indivíduos tem virtualmente nenhum impacto sobre eles.

Situações mais comuns incluem preocupação e ruminação. Na preocupação, os indivíduos perdem o contato com o momento presente porque focam sua atenção em um futuro conceituado. Na ruminação, o presente é perdido para uma fixação em um passado conceituado.

O contato com o momento presente é tão importante para o terapeuta quanto é para seus pacientes. O profissional precisa fazer a si mesmo as mesmas perguntas que faz a seus pacientes.

À medida que se torna excessivamente apegado a um futuro conceituado para seus pacientes (“e se eu não conseguir ajudá-los?”) ou a um passado conceituado (“não fiz nenhum bem a eles”), estará menos disponível para interagir com as pequenas mudanças em seus comportamentos.


Lançamento

O assunto é aprofundado no livro “Mindfulness para dois: uma abordagem da terapia de aceitação e compromisso para mindfulness na psicoterapia”, dos autores Kelly G. Wilson e Troy DuFrene e traduzido pela Sinopsys Editora.

De maneira acessível, a obra detalha o papel da atenção plena na prática clínica, explorando como os seis processos fundamentais da ACT se conectam à ciência do comportamento e de que forma podem fortalecer a relação terapêutica e potencializar os resultados do tratamento.

Trata-se de uma leitura indispensável para estudantes e profissionais da saúde mental que desejam aprofundar sua compreensão da terapia de aceitação e compromisso e transformar a qualidade da presença no processo terapêutico.

Reconhecido mundialmente por sua didática, sua sensibilidade e seu bom humor, Wilson é um dos cofundadores da ACT e coautor da obra clássica “Acceptance and commitment therapy: the process and practice of mindful change”.



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Tags

terapia de aceitação e compromisso, ACT, aceitação, desfusão cognitiva, self como contexto, valores, ação comprometida, contato com o momento presente, mindfulness, atenção plena, modelo hexaflex, flexibilidade psicológica

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