Terapia de casal e o papel das emoções no processo de mudança
08 de Maio de 2026
No século 21, os terapeutas podem ter clareza sobre a natureza do conflito conjugal: trata-se, essencialmente, de ser inundado por emoções negativas e ficar aprisionado na armadilha de interações limitadas e constritivas.
Eles podem encontrar, na literatura sobre terapia de casal, tecnologias claramente específicas para a mudança no formato de intervenções de tratamento validadas empiricamente.
Podem, ainda, ler a vasta e crescente literatura, agora existente, sobre a natureza do amor adulto, um fenômeno que, até recentemente, tinha sido muito negligenciado pelo campo da terapia de casal.
Além disso, estão disponíveis novas elaborações sobre aspectos importantes da terapia de casal, tais como o papel das emoções no processo de mudança e as intervenções-chaves sobre eventos de mudança.
Maioridade
A terapia de casal, enquanto disciplina, parece estar chegando à maioridade. Sua aplicação também está se expandindo; ela é agora utilizada para abarcar cada vez mais sintomas “individuais”, tais como depressão, transtornos de ansiedade e doenças crônicas.
Isso faz sentido à luz da pesquisa que conecta a qualidade dos relacionamentos íntimos e o apoio social com a saúde física e psicológica por meio de mecanismos como o funcionamento efetivo do sistema imunológico e o manejo de estressores e traumas.
Um relacionamento amoroso sólido também potencializa o crescimento individual e a autorrealização e é associado com um senso positivo e coerente de self.
De fato, há cada vez mais evidências de que o “cuidado amoroso” oferecido pelos relacionamentos íntimos protege as pessoas de doenças físicas e emocionais e melhora a resiliência.
Neurobiologia
As pesquisas também estão começando a focar na neurobiologia dos relacionamentos íntimos e a identificar mecanismos específicos – como os níveis do chamado “hormônio da felicidade”, a ocitocina – que parecem nos proteger de doenças.
Está se tornando cada vez mais amplamente reconhecido que a solidão e a falta de suporte social são fatores de risco para problemas de saúde, enquanto, por outro lado, uma conexão segura com uma pessoa amada favorece condições para a saúde física, impactando fatores fisiológicos (como pressão sanguínea e regulação do cortisol), fatores emocionais (como reatividade ao estresse) e fatores comportamentais (como práticas saudáveis).
Não é uma surpresa, portanto, que a falta de conexão emocional com os outros seja agora vista como um risco de saúde pública, nem que intervenções nas quais parceiros de vida são encarados como uma fonte de recuperação de doenças, a exemplo de doenças cardíacas, estejam sendo desenvolvidas e testadas.
Reconhecimento
A terapia de casal também está se tornando cada vez mais reconhecida como uma grande intervenção em saúde mental, talvez em virtude da compreensão do impacto negativo do divórcio em casais, famílias e comunidades, ou talvez porque outras fontes de vida em comunidade parecem estar rapidamente em declínio.
A perda do “capital social” tem sido conectada com a escalada dos níveis de depressão e ansiedade nessas sociedades. Muitas pessoas não têm outra escolha a não ser depender dos parceiros íntimos para apoio e conexão. Nesse contexto, a qualidade desses relacionamentos se torna altamente significativa.
O público geral também está se tornando cada vez mais consciente do valor de utilizar orientação profissional para ajudar a reparar relacionamentos conjugais e familiares em conflito. O amor adulto está começando a ser visto como um processo que pode ser compreendido, influenciado e reparado.
As parcerias conjugais estão sendo concebidas como intencionais em vez de repousar nas mãos do capricho romântico, do acaso ou do destino.
Cada vez mais terapeutas relatam que atendem rotineiramente casais como parte da sua prática, mas eles reconhecem que essa modalidade é particularmente desafiadora, bem como que a necessidade de treinamento rigoroso em modelos testados de terapia de casal, especialmente modelos baseados na nova compreensão científica do amor adulto, está se tornando cada vez mais urgente.
Atualização
O livro A prática da terapia de casal focada nas emoções: criando conexões é parte do movimento em direção a um conjunto de intervenções mais delineadas, científicas e impactantes e a mais treinamento profissional rigoroso no campo em expansão da terapia de casal.
Publicada originalmente em 1996, a obra de Susan M. Johnson tornou-se, ao longo do tempo, um dos principais referenciais para profissionais, supervisores e estudantes que desejam compreender e aplicar essa abordagem terapêutica.
Nesta terceira edição, publicada pela Sinopsys Editora, é ampliada e atualizada com os avanços mais recentes da área, incorporando novos achados científicos sobre intervenções clínicas, além de aprofundar discussões sobre regulação emocional, teoria do apego adulto e contribuições da neurociência.
Também explora a aplicação da terapia focada nas emoções (EFT, do inglês emotionally focused therapy) em diferentes contextos clínicos, como depressão, ansiedade, dificuldades sexuais e transtorno de estresse pós-traumático (TEPT).
Dirigido a estudantes e profissionais de psicologia com foco na EFT, o conteúdo é organizado de forma didática, apresentando desde intervenções pontuais utilizadas nas sessões até a estrutura mais ampla do processo terapêutico, conhecida como Tango da EFT.