Sobre os jeitos de ser das crianças: uma importante reflexão
26 de Maio de 2026
Inspirado nas dimensões internalizante e externalizante da personalidade, o livro ‘Nem 8, nem 80: Bin e Bex descobrem o equilíbrio nos jeitos de ser’, de autoria dos psicólogos Cibelle de Oliveira e Lucas de Francisco Carvalho, conta a história do inseguro Bin e do impulsivo Bex, dois monstrinhos com jeitos bem diferentes de pensar e agir diante das situações do dia a dia.
Bin (tendências da personalidade internalizante) representa comportamentos ligados a evitação, insegurança, passividade e inibição social. Já Bex (tendências da personalidade externalizante) expressa características como impulsividade, oposição, desorganização e dominância.
No enredo, são retratadas situações cotidianas (como compartilhar brinquedos, organizar a sala, formar duplas, lidar com regras, entre outras), apresentando as respostas típicas dos personagens sem julgamento, com espaço para a criança se identificar, refletir e se expressar.
De forma lúdica, esta publicação da Sinopsys Editora convida pais/responsáveis, educadores e profissionais da saúde mental a conversarem com a criança sobre as situações vividas pelos personagens e a perguntarem com qual ela mais se identifica, em quais momentos se sente parecida com um ou com o outro ou se acha que tem um jeito só dela.
Dessa maneira, abre-se espaço para diálogo, reflexão, autoconhecimento e acolhimento das diferenças, assim como para o aprendizado sobre os jeitos de ser e as possíveis consequências e sobre a importância da busca do equilíbrio.
Cada pessoa é única
Cada pessoa é única e cada forma de se comportar precisa de análise, planejamento e intervenção diferente para auxiliar a criança na mudança de conduta – se necessária – no sentido de atender às suas demandas da infância.
Para os pais/responsáveis, compreender quais desses aspectos está prejudicando o filho auxilia no manejo que se pode ter no dia a dia, aumentando o vínculo familiar, o senso de pertencimento e quaisquer outras competências importantes.
A escola é outro ambiente em que os comportamentos problemáticos surgem e demandam conhecimento dos professores e interferência adequada. É onde geralmente
dá-se ênfase àqueles que são chamados de “alunos-problema”, porque falam alto, são inquietos, importunam colegas e têm outras atitudes que chamam mais a atenção dos professores.
Por outro lado, há aquele aluno que, muitas vezes, é visto como quietinho, não “incomoda” e faz as atividades no canto dele. Como segue os comportamentos esperados, não costuma ter tanta atenção dos docentes, o que não significa que não precise, pois pode estar internalizando inclusive transtornos como depressão e ansiedade.
Ambos perfis precisam de manejo adequado, pois apresentam formas diferentes de comportamento dentro de um mesmo ambiente, assim diminuindo ou mesmo prevenindo prejuízos emocionais e sociais.
Maior ou menor grau
Embora os personagens Bin e Bex tenham comportamentos mais extremos no livro, é comum que crianças de 6 a 10 anos apresentem esses jeitos de ser em maior ou menor grau no dia a dia. Cada uma delas pode se reconhecer um pouco em um ou em outro personagem, dependendo da situação.
Às vezes, pode agir mais como um; em outros momentos, mais como o outro. Isso porque todas as pessoas têm diferentes jeitos de ser que aparecem com mais ou menos intensidade conforme o contexto. Isso permite que se identifique com os personagens e aprenda com a história.
Além de divertir, a obra pode ser usada como ferramenta de apoio clínico, familiar e educacional, promovendo discussões sobre modos de funcionamento, diferenças individuais e desenvolvimento socioemocional.