Como lidar com as perdas de memória da vovó?
26 de Fevereiro de 2026
No Brasil, milhões de pessoas – especialmente idosos – convivem com doenças degenerativas que afetam a memória e podem gerar esquecimentos no dia a dia. E quando quem esquece é alguém que uma criança ama muito, isso pode confundi-la e entristecê-la.
As alterações que acompanham o envelhecimento trazem os transtornos mentais típicos e mais comuns da idade, entre eles, as demências, que resultam em déficits cognitivos e prejudicam a memória.
O surgimento da doença causa um impacto não só no paciente, mas também na rotina familiar, fazendo com que seus membros modifiquem hábitos para se adequarem às necessidades da pessoa.
Fonte de apoio
Diante da previsão de significativo aumento da população idosa no Brasil para as próximas décadas, torna-se necessário pensar em como lidar com doenças típicas do processo do envelhecimento, incluindo as relacionadas à saúde mental.
A família é a principal fonte de apoio e de cuidado a idosos, o que pode ser extremamente oneroso física e emocionalmente quando envolve o manejo de déficits comportamentais e de distúrbios cognitivos.
Frequentemente, os familiares responsáveis demonstram uma reestruturação e uma modificação dos papéis de seu grupo familiar: novos horários organizados, atividades e cuidados. Isso muitas vezes pode levar a uma sobrecarga de reações de fadiga e tensão, com consequentes repercussões negativas na sua saúde e satisfação.
Ambiguidade
Em relação a questões psicológicas, um aspecto relevante é quando o paciente não reconhece mais os familiares. Nesse momento, há o primeiro luto na família devido à “perda ambígua”, pois trata-se da morte antes da própria morte. Para as crianças, pode ser ainda mais difícil compreender o que está havendo com a pessoa querida.
É necessário, portanto, que as famílias sejam instrumentalizadas para os cuidados cotidianos com seus idosos. Esse apoio aos cuidadores não deve se basear somente em informações ou orientações sobre a doença.
É preciso que eles sejam vistos como sujeitos participantes do processo de assistência adequada aos idosos para que levantem estratégias de cuidado e possam permanecer inseridos socialmente.
Lançamento
O livro “Quando o vento leva as lembranças: entendendo as perdas de memória da vovó”, publicado pela Sinopsys Editora, é baseado na experiência da autora, Érika Borges Rodrigues, como psicóloga clínica infantil e inspirado em vivências reais. Tem como objetivo ajudar as crianças a compreenderem, de forma leve e sensível, as perdas cognitivas de pessoas queridas.
Com atividades complementares que estimulam a memória afetiva, o vínculo familiar e a expressão emocional, a obra mostra, com delicadeza e empatia, como o amor permanece mesmo quando as palavras somem e como o afeto pode ser mantido com carinho, paciência e criatividade.
Ao representar os esquecimentos como um “vento” que leva as lembranças, o livro oferece uma metáfora suave e acessível que acolhe o olhar infantil e ajuda a elaborar perdas sutis muitas vezes difíceis de compreender nessa fase da vida.