Distorções cognitivas: o que são e como afetam as crianças?
05 de Março de 2026
As distorções cognitivas são padrões de pensamento disfuncionais que interferem no processamento cognitivo, comprometendo a interpretação das situações cotidianas e influenciando o modo de pensar, sentir e agir. Em outras palavras, a criança pensa sobre a realidade de maneira equivocada e/ou tendenciosa, o que pode resultar em sofrimento.
Entre as distorções cognitivas comuns nos quadros clínicos da infância, estão catastrofização, personalização, pensamento dicotômico, maximização do negativo, minimização do positivo, filtro negativo e adivinhação.
Catastrofização
É uma previsão do futuro de forma negativa, exagerada e assustadora. Essa armadilha do pensamento faz com que a criança acredite que o que acontecerá será muito desagradável, horrível, intolerável e insuportável.
Exemplos: “Minha viagem dará errada”, “Posso me machucar”, “Irei muito mal na prova”, “Vou a um aniversário e ninguém gostará de mim, ficarei sozinho”, “E se meus pais me esquecerem na escola?”.
Possíveis ideias/características associadas: tenho que ter muito cuidado, sou frágil, algo de ruim pode acontecer comigo, tudo é perigoso, atento ao perigo.
Personalização
O foco não está na atitude isolada, mas no papel assumido. Dessa forma, em vez de a criança avaliar um erro próprio ou dos outros como algo eventual e aceitável, parte para a definição de rótulos pejorativos.
Exemplos: “Ele não sorriu para mim, porque eu devo ter feito algo ruim para ele”, “Meus pais se separaram por minha causa”, “Eu sou burro”, “Sou um fracasso”.
Possíveis ideias/características associadas: visão negativa de si, autorresponsabilização, rótulo negativo e absoluto.
Pensamento dicotômico (ou tudo ou nada)
É a tendência de ver a situação em externos, não considerando o meio termo, é tudo preto ou tudo branco, frio ou quente. Sempre duas categorias em vez de um contínuo.
Exemplos: “Ou tiro 10, ou sou um fracasso”, “Se alguém discorda de mim, então não gosta de mim”, “Ou eu amo, ou eu odeio”.
Possíveis ideias/características associadas: menos flexibilidade, tendência ao exagero.
Maximização e minimização
Tendência a foco em aspectos negativos. E qualquer coisa positiva que acontece é considerada sem importância. A criança avalia as coisas ao seu redor com ampliação para o negativo e minimização para o positivo.
Exemplos: “Errei uma questão, como sou tão burro?”, “Não foi nada, não fiz mais do que a minha obrigação”, “Tirei nota boa porque estava fácil a prova”.
Possíveis ideias/características associadas: tendência a relativizar ou justificar suas conquistas, foco em aspectos negativos de si, os outros e o mundo, pouca ênfase nas próprias conquistas e muita ênfase nos erros cometidos.
Filtro mental
O foco da atenção se direciona para pequenos detalhes negativos em vez de focar no todo.
Exemplos: “Se minha professora complementou minha resposta, então ela não gostou do que eu respondi”, “Errei uma questão na prova, mas eu sabia a resposta”.
Possíveis ideias/características associadas: não sou/faço o suficiente, sempre preciso melhorar, um erro é difícil de aceitar, foco atencional para o negativo.
Leitura mental
É uma falsa ideia de que é possível conhecer os pensamentos do outro, inclusive suas intenções, mesmo sem falar com ele; uma ideia mágica de adivinhar o que o outro pensa e tirar as próprias conclusões.
Exemplos: “Não me deu oi quando eu cheguei, então não gosta de mim”, “Ele está falando de mim para o outro”, “Estão rindo e é de mim”.
Possíveis ideias/características associadas: sou alvo das pessoas, os outros pensam coisas negativas de mim; se eu imagino que a pessoa possa pensar algo, isso é verdade; foco atencional para os outros e qualquer sinal de avaliação negativa para si.
Lançamento
O livro ‘Aprendendo sobre distorções cognitivas com Branca de Neve’ faz uma releitura do clássico conto apresentando essas sete distorções cognitivas comuns nos quadros clínicos da infância. No desenrolar da história, a personagem central conhece e aprende a lidar com cada uma delas no dia a dia.
De autoria das psicólogas Marina Heinen e Camilla Volpato Broering e com atividades interativas, a obra é destinada aos usos clínico, familiar e escolar com crianças a partir de 6 anos.