Depressão: identificando crenças e pensamentos
10 de Setembro de 2026
A depressão é um transtorno multifacetado caracterizado por um conjunto de sintomas emocionais, cognitivos, comportamentais e físicos que estabelecem um ciclo de manutenção do sofrimento.
Entre os mais frequentes, destacam-se: humor deprimido e tristeza persistente; perda de interesse ou prazer em atividades anteriormente valorizadas (anedonia); fadiga intensa e lentificação física e mental; irritabilidade e impaciência, que podem substituir ou coexistir com a tristeza, especialmente em adolescentes e adultos jovens, frequentemente resultando em conflitos interpessoais e intensificação da autocrítica.
Também entre os sintomas da depressão, constam alterações no sono e apetite, que podem se manifestar tanto como aumento quanto diminuição; baixa autoestima e sentimento de culpa; dificuldades de concentração e tomada de decisão; sensação de desesperança e, em casos mais graves, pensamentos de morte ou suicídio.
Abordagem terapêutica
A terapia cognitivo-comportamental (TCC) é uma das abordagens psicoterapêuticas mais estudadas e recomendadas para o tratamento da depressão, com evidências robustas de eficácia e manutenção de resultados a longo prazo.
Fundamenta-se no modelo de que pensamentos, emoções e comportamentos estão interligados e de que a modificação de padrões cognitivos disfuncionais pode reduzir sintomas depressivos e promover mudanças comportamentais adaptativas.
Na TCC, os sintomas da depressão não são entendidos de forma isolada. Eles estão vinculados a padrões de pensamento disfuncionais e crenças negativas sobre si mesmo, o mundo e o futuro – a chamada tríade cognitiva de Beck.
Essas interpretações distorcidas alimentam emoções como tristeza, culpa e desesperança, que conduzem a comportamentos de evitação e inatividade – como se isolar, não buscar apoio ou abandonar atividades significativas.
Esse padrão, por sua vez, diminui a ocorrência de experiências positivas, reforçando o ciclo depressivo e dificultando a percepção de alternativas realistas ou de pequenas conquistas.
Reestruturação cognitiva
A reestruturação cognitiva é um dos pilares da terapia cognitivo-comportamental para a depressão e visa interromper esse ciclo. O processo envolve três etapas centrais. A primeira é identificar pensamentos automáticos negativos que emergem em situações específicas.
A segunda é questionar a veracidade e a utilidade desses pensamentos por meio do questionamento socrático e técnicas como exame de evidências, análise do grau de crença e avaliação do duplo padrão. E a terceira é construir interpretações alternativas mais realistas e autocompassivas, que validem a dor sem reforçar a autocrítica.
Ao longo do tempo, esse processo promove flexibilidade cognitiva, reduz a intensidade dos sintomas e favorece mudanças comportamentais adaptativas, como a retomada de atividades prazerosas, a melhoria das interações sociais e o desenvolvimento de metas e planos para o futuro.
Ferramenta
Evidências apontam que o uso de recursos estruturados e visuais pode potencializar a eficácia do tratamento, aumentando a adesão e a generalização das técnicas cognitivas para diferentes contextos da vida diária.
A ferramenta ‘Reestruturação cognitiva na depressão: identificação, questionamento e reformulação’ foi concebida a partir do modelo cognitivo de Beck e integra estratégias de reestruturação cognitiva.
De autoria das psicólogas Jullyana Cardoso, Sandra Barreiros e Talitha Alexandrina e publicada pela editora RIC Jogos, tem como propósito auxiliar terapeutas e pacientes na identificação, no questionamento e na reformulação de pensamentos automáticos negativos (PANs) que mantêm a tríade cognitiva depressiva: visão negativa de si, do mundo e do futuro.
Para uso clínico com adolescentes a partir de 14 anos, adultos e idosos, favorece a compreensão psicoeducativa sobre o funcionamento da depressão e busca estimular o engajamento ativo do paciente no processo terapêutico, ampliando a transferência das habilidades aprendidas em sessão para o cotidiano.