Treinamento de pais: como manejar a resistência dos adultos?
18 de Janeiro de 2022
A resistência dos adultos pode ocorrer no treinamento de pais (TP) na terapia cognitivo-comportamental (TCC) com crianças e adolescentes. Cabe ao psicoterapeuta evitar e/ou reverter a situação para que a eficácia do tratamento não seja ameaçada.
O engajamento dos cuidadores na psicoterapia infantojuvenil é fundamental. Inicialmente porque é um deles, ou ambos, que identifica a necessidade e busca o atendimento psicológico.
PSICOEDUCAÇÃO
Na atividade clínica, compreende-se a dificuldade dos adultos em relação ao comportamento de seus filhos. Dessa forma, percebe-se a importância de trabalhar o engajamento dos pais no tratamento.
No treinamento de pais, é necessário que eles sejam sempre observados e orientados pelos terapeutas com a intenção de maximizar os benefícios tanto para os filhos quanto para as famílias em geral.
Da mesma forma, é preciso usar a psicoeducação como primeira estratégia no TP. Por isso, o profissional da saúde mental deve assegurar-se de que os pais tenham informações básicas gerais, como conhecimento do comportamento adequado ao desenvolvimento e reconhecimento dos antecedentes e das consequências do comportamento.
ACOLHIMENTO
Nesse contexto, o terapeuta cognitivo-comportamental necessita buscar o envolvimento dos pais no processo psicoterápico utilizando empatia, clareza, objetividade e, sobretudo, acolhendo esses cuidadores que, muitas vezes, carecem de um modelo para conseguirem harmonizar o relacionamento com seus filhos.
Para que o profissional da saúde mental seja respeitado e tenha uma relação mais próxima com os cuidadores, evitando que eles resistam ao treinamento e ao engajamento na psicoterapia de seus filhos, é preciso, primeiramente, acolher e ouvir com atenção e respeito tudo que lhe é exposto.
Em vez de julgar, o terapeuta precisa ser mais humanizado e compreender o contexto em que a família vive e qual o modelo que ela tem, evitando contribuir para o sentimento de culpa dos pais.
Eles já recebem julgamento de todo mundo, seja da própria família, dos médicos, de outros pais, da escola, do mercado de trabalho. E eles não buscam o auxílio do psicólogo para novamente serem julgados. Isso só os afasta e não é efetivo.
O profissional também precisa lembrar que, embora a teoria seja um guia e auxilie, não há uma fórmula única que traga a solução para todos os casos. Isso porque há muitas variáveis envolvidas e não apenas a educação de casa.
De nada adianta, portanto, passar uma fórmula pronta para os cuidadores, ensinando como eles devem agir passo a passo com os filhos, se não forem avaliados os fatores que estejam contribuindo para os problemas em questão.
O terapeuta precisa ter a clareza de que não existe apenas uma verdade e uma maneira correta de agir com os filhos, mas, sim, diversas maneiras que podem dar certo. E, muitas vezes, é na base de tentativas e erros que se chega à fórmula ideal para aquela família específica.
EMPATIA
Há várias maneiras de o terapeuta ser empático com os pais: se interessando de verdade pelas demandas que trazem, marcando atendimentos exclusivos com eles e querendo saber com o máximo de detalhes tudo o que eles pensam a respeito das dificuldades, quais são suas crenças e, principalmente, como é a relação deles com os filhos.
É preciso perguntar muito, mas, quando for a hora de ouvir, é necessário ouvir de coração e mente abertos, visando acolher e investigar toda e qualquer informação trazida por eles.
Outra atitude fundamental da parte dos profissionais da saúde mental no treinamento dos pais é a valorização dos seus esforços.