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Trabalho com cadeiras e os diálogos na prática clínica

Trabalho com cadeiras e os diálogos na prática clínica

06 de Outubro de 2026

O trabalho com cadeiras (chairwork) é um método psicoterapêutico intenso e vivencial que engloba: convidar o paciente a sentar-se em uma cadeira para ter um encontro imaginário com alguém do passado, do presente ou do futuro na cadeira à frente; e/ou utilizar várias cadeiras para criar diálogos entre diferentes partes do self.

Os quatro diálogos da chairwork psychotherapy (psicoterapia com as técnicas das cadeiras) – dar voz, contar a história, diálogos internos e relacionamentos e encontros – servem como base de todos os diálogos centrados no uso de cadeiras.

“Dar voz” envolve ampliar e expressar um sentimento, entrevistar uma parte para compreendê-la melhor e/ou capacitar as pessoas a assumirem sua autoridade pessoal e a afirmarem as decisões que estão tomando em suas vidas.

“Contar a história” concentra-se em trabalhar com o paciente para expressar e integrar narrativas difíceis, dolorosas ou secretas. Por sua vez, “diálogos internos” envolvem trabalhar com as partes, os modos ou os esquemas internos do indivíduo.

Já os diálogos de “relacionamentos e encontros” baseiam-se no mundo interpessoal e utilizam o ciclo das emoções, ou seja, a expressão de amor, raiva, medo e luto.


Psicodrama

As técnicas de cadeiras advêm do psicodrama, forma de psicoterapia experiencial em grupo desenvolvida pelo psiquiatra romeno e norte-americano Jacob Levy Moreno a partir das primeiras décadas do século 20, e foram ampliadas pelo psiquiatra alemão Friedrich Salomon Perls, cocriador da gestalt-terapia.

Hoje, estão amplamente incorporadas em diferentes abordagens, entre as quais se destacam a terapia do esquema (TE), a terapia focada nas emoções (TFE) e a terapia cognitivo-comportamental (TCC).

Fundamentam-se no princípio da multiplicidade do self, segundo o qual as pessoas são compostas por diferentes partes, também chamadas de modos ou vozes, cada uma com funções, mensagens e histórias próprias.

O trabalho parte da premissa de que, ao tornar conscientes e expressar os conflitos e as crenças presentes nessas diferentes partes, as pessoas podem compreendê-las de forma mais clara e, assim, tomar decisões mais autônomas em vez de agir de modo inconsciente e automático.

Princípios
Os quatro princípios fundamentais do trabalho com cadeiras são: é clinicamente útil compreender as pessoas como compostas por diferentes partes, modos ou vozes; é curativo e transformador permitir que essas partes tenham voz; também é curativo encenar ou reencenar cenas do passado, do presente ou do futuro; o objetivo final do trabalho é sempre o fortalecimento do adulto saudável.

Os pacientes são incentivados a utilizarem as cadeiras para enfrentar sua realidade interna de maneira mais direta, reviver experiências passadas e presentes ou imaginar cenários futuros.

Ao trocar de cadeira, o indivíduo assume a perspectiva de uma parte de si mesmo ou de outra pessoa, expressando pensamentos, sentimentos e desejos a partir dessa nova posição.

O deslocamento promove distanciamento físico, cognitivo e emocional, facilitando uma visão mais clara dos próprios padrões e abrindo espaço para insights profundos sobre a origem e a manutenção de problemas e sintomas. Além disso, oferece um espaço seguro para experimentar novas formas de interação e ensaiar comportamentos mais funcionais antes de aplicá-los na vida real.

Esses fatores também favorecem os processos metacognitivos, pois transformam aspectos internos abstratos em realidades concretas e visíveis, possibilitando que sejam observados, nomeados e transformados.

A segurança oferecida pela natureza simbólica do exercício, aliada à presença acolhedora do terapeuta, cria condições para o surgimento de diálogos que dificilmente aconteceriam em outro contexto.


Lançamento

O livro “Trabalho com cadeiras transformacional: usando diálogos psicoterapêuticos na prática clínica”, do psicólogo norte-americano Scott Kellogg – referência na área – e traduzido pela Sinopsys Editora, apresenta os fundamentos teóricos e práticos da abordagem.

A obra oferece uma visão abrangente do trabalho com cadeiras e um guia para sua aplicação em uma ampla variedade de demandas clínicas. Voltada a estudantes e profissionais de psicologia, traz um modelo integrativo e transteórico ao mesmo tempo.

O leitor é introduzido às principais estratégias de diálogo terapêutico, aprendendo a estruturar encontros clínicos e reencenações capazes de promover mudanças significativas.


Eixos

As intervenções com cadeiras são organizadas em torno de dois eixos: os diálogos externos e os diálogos internos. Os diálogos externos auxiliam pacientes a elaborarem o luto e as perdas, superar experiências de abuso e trauma interpessoal, lidar com relacionamentos difíceis e fortalecer uma comunicação assertiva.

Já os diálogos internos concentram-se na resolução de conflitos intrapsíquicos, na redução da influência do crítico interno e da autodepreciação, no trabalho com sonhos e pesadelos e na ampliação do senso de identidade por meio da integração de polaridades.

Combinando estratégias voltadas aos diálogos internos e externos, a publicação demonstra como o trabalho com cadeiras pode constituir uma intervenção clínica poderosa no tratamento de dependências, dos impactos da opressão social, da psicose e outras condições médicas.

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Tags

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