Diga não quando for necessário: limites e autorrespeito
04 de Novembro de 2026
Você já se desgastou emocionalmente por não conseguir negar o pedido de alguém? Além do desgaste emocional, os prejuízos de dizer “sim” em determinadas situações podem afetar negativamente até sua saúde física e financeira.
Na terapia do esquema, essa dificuldade de negar pedidos pode estar relacionada ao domínio “direcionamento para o outro”, que costuma ter origem em famílias que valorizam o sacrifício e a necessidade de agradar e de ter reconhecimento social, com pouca valorização das necessidades da criança.
Esse domínio inclui os esquemas de subjugação, autossacrifício e busca de aprovação/busca de reconhecimento. Quem tem essa tendência, por razões diferentes, acaba tomando decisões e “escolhendo” ações pelo impacto que irão causar nas outras pessoas.
O esquema de subjugação ocorre quando o indivíduo suprime suas próprias necessidades e emoções, submetendo-se ao outro para evitar rejeição. Esse padrão leva a atender excessivamente às necessidades alheias em detrimento do próprio bem-estar, frequentemente por empatia ou medo de sentir culpa.
Já o esquema de busca de aprovação envolve moldar escolhas e comportamentos para agradar e obter aceitação em vez de se orientar pelos próprios valores. Aqui entram também os modos esquemáticos, que aparecem como personagens internos para lidar com o que sentimos em diferentes situações.
Modo adulto saudável
Ao abrir mão de desejos e vontades em função dos outros, podemos nos colocar em circunstâncias aversivas. Imagine alguém que aceita dar uma volta de madrugada em uma região perigosa ou que diz “sim” ao uso de drogas apenas para não desagradar a um amigo.
Essas situações mostram o quanto o “sim automático” compromete tanto a integridade física quanto a integridade emocional e impede que o modo adulto saudável se manifeste a partir dos valores pessoais.
Portanto, ressignifique o sentido do “não”: “Não” significa afeto, porque nem sempre o “sim” é o melhor para o outro. “Não” significa respeito próprio, porque temos limites e desejos legítimos. “Não” significa autoestima, porque negar o que degrada nossa dignidade fortalece a identidade. “Não” significa liberdade, porque protege a gestão da própria vida.
Lançamento
Esses e outros assuntos são abordados no livro “Para além do piloto automático: terapia do esquema no cotidiano”, de autoria da psicóloga Andressa Henke Bellé e publicado pela Sinopsys Editora.
A partir dos princípios da terapia do esquema, a obra convida o leitor a reconhecer esses padrões disfuncionais, compreender suas origens e construir novas formas de se relacionar consigo mesmo e com os outros.
Temas como autenticidade, vulnerabilidade, autocobrança, relações, aprovação, compaixão e fortalecimento do modo adulto saudável são abordados de maneira próxima e aplicável à vida real.
Destinado ao público geral e psicoterapeutas, trata-se de uma leitura para quem deseja sair do piloto automático, compreender melhor a própria história e se aproximar, com mais coragem e consciência, de quem realmente é.
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