Terapia cognitivo-comportamental para dependência tecnológica
04 de Junho de 2025
A chegada da era digital revolucionou e trouxe inúmeros benefícios, embora também possa acarretar prejuízos para aqueles que não conseguem regular seu uso de maneira controlada e saudável.
Palfrey e Gasser (2011) cunharam o termo “nativos digitais” para denominar os indivíduos nascidos após 1980, uma geração imersa no mundo digital que tem reestruturado nosso ambiente.
Esses nativos digitais frequentemente apresentam demandas no consultório que, direta ou indiretamente, estão associadas ao uso da tecnologia.
Muitas vezes, as questões relacionadas ao uso problemático dessa tecnologia não são imediatamente aparentes, pois a integração do mundo tecnológico no dia a dia torna tênue a distinção entre os ambientes on-line e off-line, dificultando a concepção de uma vida com menor influência de dispositivos tecnológicos.
Cabe aos clínicos estarem vigilantes às nuanças e apoiar pais e outros cuidadores na promoção de um uso saudável da tecnologia, buscando, sempre que possível, uma realidade menos conectada.
Isso contribui para a saúde mental, enriquece as relações interpessoais e fomenta o desenvolvimento do potencial lúdico e criativo.
Funções executivas
Rich e colaboradores (2019) destacam que a revolução digital tem afetado negativamente sobretudo crianças e adolescentes devido à necessidade de desenvolverem funções executivas cerebrais, como controle de impulsos, autorregulação e pensamento futuro.
Essa faixa etária mostra-se mais propensa à dependência digital dada sua maior adaptabilidade para explorar as mídias digitais em comparação com pais ou outros responsáveis, que podem enfrentar desafios para supervisionar e dominar essas tecnologias.
A dependência de smartphones é particularmente prevalente entre as crianças mais velhas e os adolescentes que, conforme aponta Shin (2019), dedicam em média 5,4 horas diárias a esses dispositivos, utilizando-os principalmente para interação social (40,6%), acesso a notícias (17,6%) e jogos (8,3%).
O autor destaca que, durante a infância e a adolescência, o autocontrole em relação ao uso de smartphones é frequentemente subdesenvolvido, aumentando o risco de dependência desses dispositivos.
Adicionalmente, o desenvolvimento cortical incompleto nesses estágios da vida contribui para esse cenário. Também é importante considerar os fatores de risco associados a aspectos sociodemográficos, psicológicos, familiares e ambientais.
Danos físicos e mentais
O uso excessivo desses aparelhos pode acarretar uma série de problemas, incluindo danos à saúde física, distúrbios musculoesqueléticos e oculares, exposição à radiação eletromagnética, infecções, impactos negativos na saúde mental, além de interferências ou prejuízos nas relações sociais e no desempenho acadêmico (Shin, 2019).
Segundo Beard (2011), a vasta quantidade de informações on-line acessíveis a crianças e adolescentes pode induzi-los a desenvolverem crenças errôneas, prejudicando-os em várias áreas e impactando negativamente as interações familiares, em especial na capacidade de comunicação assertiva com seu círculo social.
Lançamento
Esse e outros assuntos são aprofundados no livro ‘Estratégias de intervenção na infância: a terapia cognitivo-comportamental na prática’. Escrito por experientes autoras especialistas em suas áreas de atuação, apresenta modelos explicativos para temas atuais, casos reais e a prática de quem, de fato, atua no dia a dia da clínica infantojuvenil.
Publicada pela Sinopsys Editora e organizada pelas psicólogas Manuela Ramos Caldas Lins e Ana Carla Gameleira, a obra reúne diferentes casos clínicos atualizados de acordo com as demandas mais prevalentes nos consultórios e apresenta o passo a passo para fazer a conceitualização de caso e o tratamento baseados em evidências.
Trata-se de um recurso essencial para estudantes e profissionais que trabalham com crianças e adolescentes entenderem TCC na prática.