Tédio na infância: como tornar essa emoção uma aliada?
10 de Dezembro de 2025
Nem sempre é fácil lidar com o tédio das crianças, especialmente quando surge ao mesmo tempo e por causa dos momentos de maior ocupação dos adultos no trabalho. No entanto, em vez de um vilão a ser combatido, é possível tê-lo como aliado do desenvolvimento infantil.
O tédio é uma emoção que aparece geralmente em períodos de ócio. Nessas situações, é comum ouvir a garotada dizendo “não tem nada para fazer” e “o que eu faço agora?”. Evitar senti-lo, no entanto, não é uma boa alternativa.
Pais/responsáveis preocupados podem matricular seus filhos em programas extraescolares excessivos, que muitas vezes transformam a rotina em um peso, acabando com o tempo livre de qualidade e a autonomia dos pequenos na escolha das brincadeiras e outras atividades.
Se esse ritmo acelerado e sobrecarregado já é comprovadamente motivo de tantos transtornos mentais entre os adultos, é preciso refletir, planejar e usar estratégias que ajudem a lidar com o tédio assertivamente no dia a dia das crianças.
Equilíbrio
Em uma criação equilibrada, os pequenos têm tempo livre para vivenciar sua infância, criar brincadeiras sem roteiros pré-estabelecidos e resolver problemas por si mesmos, sentindo-se confiantes por dar conta disso.
As crianças que experimentam situações tediosas, que precisam esperar pela sensação de prazer ou recompensa, podem aprender a acolher o diferente, para então ter experiências que não sejam somente centradas em si, mas que as façam ver além.
Vivenciar o tempo ocioso e o tédio proporciona que a garotada conquiste maior repertório socioemocional, experimente habilidades, gostos e interesses. Isso porque, quando consegue imaginar em como sair dessa situação desconfortável e agir por conta própria, tem sua criatividade aguçada e sua autoconfiança reforçada.
Além disso, passar por atividades mais longas, que exigem perseverança e disciplina, auxilia na construção da atenção e concentração, habilidades necessárias para o raciocínio crítico e analítico ao longo da vida.
Principalmente quando em grupo, negociar o que pode ser feito e como pode ser feito estimula o desenvolvimento de habilidades interpessoais, empatia e respeito, maior compartilhamento de saberes e aprendizado mútuo.
Como ajudar
Nem toda criança lida bem com o silêncio do tédio. No início, pode ser difícil criar estratégias para enfrentá-lo assertivamente. Se a criança perguntar “o que fazer agora?”, uma boa resposta é: “Não sei, vamos pensar juntos?”. Assim, ela se sente encorajada e, com o tempo, nem precisará mais de ajuda.
Dizer para o pequeno enfrentar o tédio sozinho soa vazio se o adulto recorre às telas o tempo todo. O exemplo é a melhor forma de ensinar. Antes de dormir ou em um intervalo do dia, estar presente, observar mais e intervir menos podem ajudar a garotada.
Ferramenta
Com atividades interativas, o ‘Caderno do tédio: desenvolvendo habilidades criativas para tê-lo como aliado’, de autoria da psicóloga Marina Heinen e publicado pela Sinopsys Editora, facilita a compreensão sobre o assunto, normalizando essa emoção e trazendo reflexões sobre a importância de senti-la.
O próprio personagem Tédio convida a criança a se automonitorar e a desenvolver habilidades para lidar com ele, como resolução de problemas, criatividade e autonomia. Para usos clínico, escolar e familiar com crianças a partir de 6 anos, baseia-se no modelo cognitivo.