Saiba mais sobre as possibilidades de trabalho com vítimas de abuso
02 de Fevereiro de 2022
Com a evolução da psicologia, da psiquiatria e das pesquisas científicas, são encontrados tratamentos eficazes para vítimas de abuso. Eles são muito importantes para evitar que traumas e transtornos psiquiátricos se instalem e interfiram na qualidade de vida e nas relações interpessoais.
É muito útil que pessoas que passaram por situação de abuso, seus familiares, seus colegas e amigos possam compreender esse tipo de violência e os prejuízos que acarretam. Assim como pessoas que nunca vivenciaram uma situação traumática como essa e não fazem ideia do que deve ser feito caso isso aconteça consigo ou com alguém próximo.
A necessidade de tratar cada vez mais precocemente as vítimas de abuso, melhorar sua qualidade de vida e diminuir o sofrimento e a interferência negativa nas relações sociais, no funcionamento familiar e no rendimento escolar deve ser suficiente para considerar a procura pelo atendimento profissional.
TCC
Existe tratamento efetivo para vítimas de abuso, e a terapia cognitivo-comportamental (TCC) é considerada a primeira escolha para pessoas que apresentam diagnóstico de transtorno de estresse pós-traumático (TEPT) e depressão, que são os transtornos psicológicos resultantes mais comuns.
A TCC pode ser associada à farmacoterapia em casos de sintomas de intensidade moderada à grave.
A terapia cognitivo-comportamental pode ser desenvolvida de várias formas, seja por meio de atendimento individualizado, de casal, de família ou em grupos, com resultados significativos para diversas patologias.
Trata-se de uma abordagem terapêutica estruturada, diretiva, com metas claras e definidas pelo profissional da saúde mental e pelo paciente, focada no momento presente e utilizada para tratar problemas emocionais diversos.
No tratamento, são usadas técnicas que têm como objetivos elaborar a vivência dolorosa do abuso, eliminar sentimentos inadequados como culpa, mudar percepção da relação com as outras pessoas, desenvolver confiança e autoestima, favorecer comportamento social, melhorar qualidade de vida e diminuir isolamento.
Também são feitos treinamentos para reconhecimento de emoções e sentimentos e de gerenciamento dos mesmos.
LIVRO
O livro "O que você precisa saber sobre abuso e tem medo de perguntar", escrito pela psicóloga Cristiane Flôres Bortoncello e publicado pela Sinopsys Editora, tem como objetivo psicoeducar o leitor sobre os diferentes tipos de abuso que ocorrem na sociedade. Entre eles, negligência, abuso de autoridade, da força, de confiança, de direito, de posição dominante, sexual e psicológico.
Por meio de linguagem clara, objetiva e acessível a todos que tenham interesse em entender um pouco mais sobre esse grave problema social, são abordados tópicos que caracterizam os abusos em diversos ambientes e populações mais afetadas, como crianças, mulheres e idosos.
A leitura desse livro não é um tratamento, mas oferece ferramentas para diferenciar abuso e transtornos mentais, bem como possibilidades de prevenção e tratamento a vítimas que passam ou passaram por situações difíceis.
COLEÇÃO
A obra faz parte da coleção "O que você precisa saber sobre e tem medo de perguntar", que traz em seus exemplares esclarecimentos sobre transtornos mentais que podem ser encontrados no `Manual diagnóstico e estatístico de transtornos mentais (DSM-5)’.
O abuso, mesmo não sendo um transtorno mental e não estar na lista do DSM-5, ocorre de forma frequente e preocupante e pode provocar transtornos mentais, além de traumas e problemas nas relações interpessoais, laborais e outros.
Dessa forma, fez-se necessário incluir o tema na coletânea, para, assim, esclarecer e ajudar os leitores tanto na prevenção do abuso quanto no posterior tratamento de suas consequências.
Importante mencionar que existe grande dificuldade para quantificar em porcentagem e estatísticas os abusos que ocorrem diariamente, porque as vítimas encontram adversidades para fazerem denúncias, seja pelo medo, pelos traumas e outras consequências em torno do tema. E quanto mais se reprime esse sofrimento, mais consequências ele pode gerar.
