Quais os principais recursos e técnicas no treinamento de pais?
17 de Janeiro de 2022
O treinamento de pais (TP) é fundamental para a efetividade do tratamento psicoterapêutico infantojuvenil. Até porque, não raramente, os sintomas apresentados pelas crianças e pelos adolescentes são consequência de problemas no ambiente familiar.
Questões referentes à falta de manejo com os filhos, à falta de informação, de limites e principalmente às expectativas irreais dos adultos em relação ao comportamento da garotada são muito frequentes.
Por isso, o treinamento de pais tem sido aplicado no tratamento psicoterapêutico em uma ampla variedade de dificuldades na infância e adolescência e como uma primeira intervenção em caso de haver risco de negligência ou maus-tratos.
TCC
Na terapia cognitivo-comportamental (TCC), se ressalta sempre a necessidade de que os cuidadores sejam observados e orientados pelos profissionais da saúde mental, com a intenção de maximizar os benefícios tanto para os filhos quanto para as famílias.
Há diversas maneiras para os pais intervirem positivamente no tratamento dos seus filhos, independentemente do transtorno a ser trabalhado. A TCC se baseia no uso de estratégias que visam corrigir pensamentos disfuncionais e seus consequentes sintomas emocionais, fisiológicos e comportamentais.
Isso porque, normalmente, os comportamentos inapropriados das crianças são fruto de um processo educacional resultante de suas interações sociais, incluindo as aprendizagens e as vivências familiares.
Assim, com o treinamento de pais para que corrijam seus pensamentos e suas atuações no contexto familiar, se ajustam as interações em um dos contextos que mais influenciam o pensamento e, portanto, o comportamento dos filhos.
TÉCNICAS
Uma das primeiras fases do treinamento de pais é a definição dos problemas apresentados pela garotada. É importante discriminar os contingentes de reforço ou punição na emissão dos comportamentos, além de avaliar a frequência, a intensidade e a duração do problema.
O conteúdo do treinamento de pais envolve basicamente técnicas de condicionamento operante e aprendizagem social.
Estimula-se os cuidadores a utilizarem, primordialmente, reforço positivo, através de elogios e brincadeiras, para aumentar o comportamento pró-social. A iniciativa faz com que a criança e o adolescente se sintam valorizados, levando à obediência, que se generaliza a outras situações.
Nessa etapa, são dadas instruções sobre as características dos pais e filhos que modulam o comportamento mutuamente e sobre como aumentar e melhorar a qualidade do tempo e da atenção dispensados aos menores com medidas específicas.
CONTINGÊNCIAS
A economia de fichas, uma intervenção comportamental baseada em contingências, também pode ser empregada. Consiste em um sistema de reforço que ocorre quando o indivíduo produz comportamentos desejados no qual se administram fichas que são trocadas posteriormente por reforços mais valiosos, mas são retiradas quando ocorrem comportamentos indesejados.
Também podem ser empregados procedimentos envolvendo o processo de extinção e punição leve. O emprego de estratégias mais efetivas para dar ordens e instruções diminui o número e a frequência das ordens, o que aumenta as taxas de obediência dos pequenos.
Já o timeout é uma técnica que remove a criança de uma situação reforçadora, de maneira temporária e planejada, com o fim de servir como um instrumento de aprendizagem. Técnicas como ignorar comportamentos indesejáveis também são empregadas.
BARALHO
Um importante recurso que também pode ser utilizado no engajamento dos cuidadores na psicoterapia infantil é o "Baralho de treinamento de pais - Aprendendo a resolver dificuldades com as crianças", de autoria dos psicólogos Rodrigo Giacobo Serra e Marcelo Goldstein Spritzer.
Com base na TCC, a ferramenta apoia os terapeutas na psicoeducação dos pais mediante o desenvolvimento de estratégias e de habilidades que contribuem com a modificação de comportamentos de crianças de até 12 anos.
O foco é a redução dos comportamentos desadaptativos, melhorando os sintomas apresentados. Nessa perspectiva, os adultos aprendem os princípios de controle de contingências, assim como são estimulados a construir um padrão de relacionamento com seus filhos baseado na validação emocional e em relacionamentos saudáveis na família.
Os pais são psicoeducados sobre a relação existente entre seus pensamentos, emoções e tomadas de decisão frente aos comportamentos dos filhos. Nesse sentido, os processos de regulação emocional e de reestruturação cognitiva desenvolvidos no baralho visam a instauração de práticas parentais mais assertivas.
