Mindfulness no transtorno da personalidade borderline
21 de Novembro de 2025
A presença de mindfulness (atenção plena), assim como a de outros princípios da prática zen dentro da terapia comportamental dialética (DBT, do inglês dialectical behavioral therapy), foi fundamental para direcionar a estrutura da abordagem.
Mindfulness está presente de várias formas na DBT: dentro da terapia individual, como um estado mental desejável no terapeuta e a ser ampliado no paciente; dentro do treino de habilidades (TH), como um módulo que precede cada um dos outros módulos específicos de habilidade; dentro da reunião da equipe de consultoria, por meio de práticas formais e do estado mental a ser preservado na reunião; e dentro do coaching telefônico, como o estado mental a ser mantido pelo terapeuta.
Raízes
Mindfulness tem suas raízes nas tradições meditativas orientais e contemplativas cristãs, sendo a integração desse conjunto de práticas no tratamento clínico largamente alavancada pela secularização dessas práticas.
No caso específico da DBT, a tradição zen teve uma influência marcada no estabelecimento das práticas centrais de mindfulness partindo da experiência pessoal de Marsha Linehan dentro dessa tradição.
A ideia da tradição zen, de que o sofrimento resulta de insatisfação – quando as coisas não são da maneira que a pessoa deseja que elas sejam –, é consistente com os princípios subjacentes das terapias cognitivo-comportamentais.
O conceito budista de moralidade, da mesma forma, não é baseado em noções abstratas de bem ou mal: os comportamentos, incluindo comportamentos mentais, são descritos e avaliados em termos de efetividade em relação aos objetivos da pessoa.
Auto-observação
Assim como a terapia cognitivo-comportamental (TCC), o zen enfatiza a auto-observação de comportamentos, como do conteúdo e do processo do pensamento. Em algumas práticas de mindfulness, o paciente observa e descreve seus pensamentos como se fossem cenas de um filme ao qual está assistindo, sendo o “eu” seu objeto de observação (metacognição).
Ao fazer isso, a prática de atenção plena vai na direção de criar uma separação entre o observador e o observa do: os pensamentos não são tomados como fatos literalmente. A prática não é tentar suprimir ou evitar essas experiências, mas observá-las sem julgamento, e pode ser considerada semelhante à estratégia comportamental de exposição a estímulos temidos, mas não nocivos.
Literatura
Esses e outros assuntos constam em Transtorno da personalidade borderline: da etiologia ao tratamento, o mais completo e atualizado livro sobre o tema. Organizado pelos psicólogos Vinícius Guimarães Dornelles e Diego dos Santos Alano e publicado pela Sinopsys Editora, reúne autores de renome nacional e internacional.
A obra é direcionada a psiquiatras, psicólogos, psicoterapeutas e outros profissionais que buscam um roteiro de estudos para o aprofundamento dos conhecimentos ou um manual de consulta. Enfoca uma gama de aspectos que fornecem conhecimento sobre o que é e como funciona o TPB, quais suas bases etiológicas e como é o seu manejo clínico.
Cada tema tratado, cada autor convidado, cada detalhe deste livro foi minuciosamente pensado para prover uma visão global, cientificamente aprofundada, compassiva e não estigmatizante do transtorno.