Comportamentos aditivos e a prevenção de recaída
22 de Outubro de 2026
A recaída é um dos principais complicadores nos tratamentos para comportamentos aditivos e, por esse motivo, alvo de estudo nas últimas três décadas. A prevenção de recaída (PR) é um modelo para compreensão desses comportamentos desenvolvido por Alan Marlatt e Judith Gordon nos anos 1980 para o tratamento das adições.
Atualmente, a PR também tem sido utilizada como recurso terapêutico de inúmeros problemas psicológicos além da dependência química. Trata-se de um programa cognitivo-comportamental que combina o treinamento de habilidades com técnicas cognitivas que tem como finalidade auxiliar as pessoas a manterem mudanças desejadas nos comportamentos considerados problemáticos.
Os objetivos da prevenção de recaída são: modificar crenças e expectativas a respeito do uso da droga; identificar e antecipar as situações de risco de recaída; aprender habilidades e estratégias de enfrentamento e manejo de situações de risco; promover amplas modificações no estilo de vida.
Conceitos básicos
Para iniciar o processo terapêutico da PR, é fundamental a aplicação de técnicas básicas da terapia cognitivo-comportamental (TCC). A aliança terapêutica é o alicerce dessa relação, que deverá ser mantida por meio de um entendimento empático do problema do paciente.
O terapeuta deve ser o catalisador que ajuda a manter a motivação do paciente para mudar os comportamentos destrutivos e o encorajar na busca de outros mais adaptativos. O profissional também deve avaliar suas próprias crenças sobre o paciente e sua doença para que não atrapalhem o processo terapêutico.
Para conduzir a prevenção de recaída, primeiro, deve-se ensinar o indivíduo a reconhecer os gatilhos que desencadeiam um possível risco de recaída e elaborar estratégias de enfrentamento adequadas. O automonitoramento, que consiste em um registro diário do comportamento em um período curto, antes do tratamento, é um método eficaz para identificar as situações de risco.
O treinamento de habilidades é a pedra angular do tratamento e faz-se necessário para uma manutenção mais longa da abstinência, já que afastar ou evitar situações de risco, embora seja inicialmente necessário, não é uma solução realista em médio e longo prazos. É preciso treinar comportamentos alternativos para o enfrentamento.
Lançamento
Esses é outros assuntos são aprofundados no “Guia teórico-prático de terapias cognitivo-comportamentais para os transtornos do exagero: 3ª edição atualizada e ampliada”, organizado pela psicóloga Renata Brasil Araujo e publicado pela Sinopsys Editora.
Dirigido a profissionais e estudantes da área da saúde, o livro traz um passo a passo de como trabalhar no atendimento de pacientes do espectro aditivo/compulsivo. Contém um protocolo de avaliação diagnóstica e as abordagens terapêuticas mais utilizadas no tratamento em suas versões atualizadas.
Todos os formulários apresentados nos capítulos são disponibilizados digitalmente para que os profissionais possam utilizá-los na prática clínica.