Ansiedade social na infância: sintomas, causas e consequências
02 de Dezembro de 2025
A ansiedade social é mais do que uma timidez comum. Quando intensa e persistente, pode ser um verdadeiro obstáculo para o desenvolvimento emocional, social e acadêmico das crianças.
Também chamada de fobia social, é caracterizada por medo intenso e persistente de ser julgado, humilhado ou rejeitado em situações sociais.
Embora seja comum que crianças sintam vergonha em momentos específicos, na ansiedade social, o sofrimento pode ficar tão intenso e trazer prejuízos em diferentes contextos, como na escola e nos relacionamentos interpessoais.
Sinais
Os sintomas de ansiedade social variam conforme a idade, a intensidade do quadro e o contexto, mas os mais frequentes incluem evitar apresentações, falar em público ou responder chamadas em sala.
Também na lista estão recusar convites para festas, jogos ou outras interações sociais; medo excessivo de errar ou parecer ridículo diante dos outros; enrubescimento, coração acelerado, tremores ou sudorese em interações simples.
Os sinais incluem, ainda, isolamento e sofrimento visível antes de eventos sociais; dificuldade para comer em público, usar banheiros fora de casa ou até mesmo interagir com professores e familiares menos próximos.
Quando esses sintomas são persistentes, durando pelo menos seis meses e causando grande prejuízo na vida escolar, social e emocional da criança, o diagnóstico é de transtorno de ansiedade social (TAS).
Origem
A ansiedade social tem origem multifatorial. Há uma forte base genética, ou seja, filhos de pais ansiosos têm maior risco.
Mas fatores ambientais também são importantes, englobando experiências precoces de humilhação ou bullying; ambientes familiares críticos, superprotetores ou rígidos; estímulo excessivo ao desempenho ou à perfeição; e falta de oportunidades para desenvolver habilidades sociais na infância.
Alterações neurobiológicas – como hiperatividade da amígdala cerebral, responsável por processar o medo – também podem estar associadas.
Prejuízos
Quando não identificada e tratada, a ansiedade social pode gerar sérias consequências, entre elas, baixo rendimento escolar; isolamento e dificuldades para fazer amizades; risco aumentado de depressão e transtornos de ansiedade; dificuldades futuras na vida profissional e afetiva.
O tratamento da ansiedade social é eficaz e pode transformar significativamente a vida da criança. A terapia cognitivo-comportamental (TCC) é considerada padrão-ouro, pois ajuda o paciente a identificar pensamentos distorcidos, enfrentar gradualmente situações temidas e desenvolver estratégias de enfrentamento.
Também é importante no processo psicoterapêutico a orientação dos pais/responsáveis sobre o que é a ansiedade social e como apoiar o filho no processo.
Em casos moderados a graves, nos quais há prejuízo funcional importante e a psicoterapia isolada não é suficiente, podem ser utilizados medicamentos, como os inibidores seletivos da recaptação de serotonina, sempre com acompanhamento médico especializado.
Leitura
O livro ‘Esconde-esconde: lidando com a ansiedade social’, de autoria das psicólogas Wandersonia Medeiros e Vanina Cartaxo, auxilia a criança a entender e a trabalhar a ansiedade social a partir de técnicas lúdicas baseadas na abordagem cognitivo-comportamental.
Para usos clínico, familiar e escolar com o público infantil a partir de 5 anos, conta a história de Tatá, uma tartaruguinha falante e brincalhona quando em família, mas que se escondia dentro do casco quando alguém estranho aparecia. Com a ajuda da Dona Baleia, ela aprende diferentes habilidades para enfrentar seus medos no dia a dia.